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O Grupo Pão de Açúcar – por um azar tremendo – teve nessa semana um anúncio veiculado na Folha de São Paulo agradecendo muito a participação da seleção brasileira nessa copa, mas que dessa vez não tinha dado e que tudo bem, pois somos brasileiros e não desistimos nunca.
2014 é logo ali.
Tudo certo. Tudo lindo. Se não pelo fato de a seleção continuar lá. Jogando o que pode ou o que sabe pra se manter viva na competição. O fato de esse grupo ser o patrocinador oficial e o dinheiro investido mostram que Abílio Diniz acredita mais nessa seleção que qualquer brasileiro na crosta deste país.
Mas o fato é que, por engano do jornal, o pessimista anúncio estampou suas páginas.
Acima, nada de novo. Apenas fatos de uma semana conturbada em Sampa.
Trocando e-mails aqui na agência com meus sócios Maurício, Lu (que começou toda essa história de e-mail) e Stachon a respeito do ocorrido e imaginando o verdadeiro “bafo” entre cliente, agência e jornal, chega um e-mail do Stachon dizendo apenas o seguinte: “é um Viral”.
Quando li, meu mundo começou a ser totalmente repensado. Lembro-me bem de uma época em que qualquer assunto, conversa, fato ou notícia se resumia a apenas duas palavras. Verdade ou mentira. Se era verdade, todos acreditavam. Se era mentira, sempre tinha alguém pra ir atrás da verdade e arrastar ela pelos cabelos, muitas vezes aos berros, pra dentro da conversa. Era simples assim. Agora não. Hoje existe a verdade, a mentira e o Viral. O Viral é a dúvida financiada. É a pulga atrás da orelha. É a incerteza do que vem depois da morte. É um inferno. Mas é também uma saída pra situações em que não convém faltar com a verdade, mas também mentir seria demais. Querem ver?
Marido infiel ao lado da amante é flagrado na cama pela esposa.
Esposa: Marcos Augusto! O que é isso???????????
Marcos Augusto: Um Viral, Ana Cristina.
Nesse momento, Ana Cristina para por valiosos segundos pra entender se aquilo é verdade, mentira ou se é realmente um Viral. Tempo suficiente pra amante colocar a roupa, Marcos Augusto tomar uma ducha e sair daquela situação, no mínimo, incômoda. Quando Ana Cristina voltar a si, aquilo realmente vai parecer coisa da cabeça dela e eles serão felizes até o próximo Viral.
O Viral é legal. O Viral é moderninho. Mas o Viral começa a me irritar. Uns anos atrás, era divertido cair em um ou outro. Agora, toda santa estratégia publicitária Viralizar é de encher os “pacovás”, como diria minha vó, que morreu justamente por uma dessas Viralizadas que dão no inverno.
Em um almoço de negócios recente, e com esse assunto em baila, um cliente me disse a seguinte frase: “Mais do que nunca, devemos selecionar muito bem nossa fonte de informação”.
Voltei pra agência pensando: “Por que a Lu faria isso com a gente?”
Ricardo Mercer
Na Getz, trabalho também é prazer.
Quem está aqui sabe a força de um bom improviso e tem que estar sempre pronto para uma Jam Session.
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