jul 08 2010
POR Stachon
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O que aprendi com Lady Gaga

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Acordo cedo. Estou aprendendo a ser pai de uma adolescente de 13 anos que começou a morar comigo, e o projeto de uma grande mulher precisa estar na aula às 7h30 da manhã. Graças a ela estou na Getz por volta das 8h. Graças a ela que, por ter tempo até o início do expediente, lhes presenteio com mais essa pérola filosófica.

A convivência com uma menina dessa idade tem me colocado em contato com um mundo novo. Com gírias, maneirismos, ídolos, músicas, moda e uma sorte de referências que, ao primeiro momento, podem parecer o novo, mas são apenas novidades, meio que parafraseando Retamozo em uma de suas visitas aqui na agência, um criador das antigas e dos tempos dourados que ganhou cabelos brancos, mas nem de longe deixou o viço das grandes ideias sair de perto.

Já fui um jovenzinho. Passei por boa parte dos dramas que um adolescente normal passaria, tirando o fato de minha garota ser filha de pais separados e ter perdido as avós tão cedo. Ela, com certeza, é bem mais forte e tem tudo pra ser bem melhor que eu. Tive ídolos, bandas prediletas, inventei muita moda.

Onde quero chegar com isso? Ao título deste artigo.

Lady Gaga é um dos maiores fenômenos musicais e artísticos dos nossos tempos. Ela é o novo. Tudo nela parece fresquinho. Suas músicas parecem que foram inventadas por algum extraterrestre, e seu clipes… Ahhh, os seus clipes… Esses nem se fala. São pura inovação.

Será? Talvez.

Lady Gaga é um fenômeno porque soube usar com maestria o que todos estavam cansados de ver, juntou tudo de forma genial e sem perceber o mundo todo olhou aquilo como algo, digamos assim, novo. Comparam Lady Gaga a Madonna. Nada a ver. Madonna ralou! Lady Gaga surgiu! Madonna dependia da TV. Lady Gaga da internet, das redes sociais. Madonna teve infância pobre. Lady Gaga é bem nascida. Madonna retratou sua rebeldia e sua excentricidade em suas músicas e em seu visual. Lady Gaga usou a observação pra montar sua personagem.

Em seu clipe Telephone, Lady Gaga abusa de clichês e estereótipos. Grafismos de época e edição simples, mas com fotografia e direção impecáveis.

Resultado? Fama. Sucesso. Paparazzi. Dinheiro!

Ver Lady Gaga nos tira da zona de conforto justamente por esfregar em nossos olhos, não o que nunca vimos, mas o que estava na nossa Poker Face e nunca percebemos.

Enfim, o que aprendi com ela? Que mais vale ser genial que, digamos assim, “novo”.

Muita gente que embarca em uma agência de publicidade é cobrada pelo “novo” o tempo todo. Sofre e se frustra por nunca encontrá-lo. Se nosso amigo, o homem da caverna, quisesse criar o carro antes da roda, teria a mesma sensação de fracasso. Ele não teria recurso pra tal feito. Fazer a roda foi apenas um ato genial de usar o que havia ao redor. O carro não nasceu pronto. Ele é o resultado da junção de vários recursos que, ao longo do tempo e para os mais diversos fins, foram surgindo. Nós, publicitários, deveríamos fazer exatamente isso com nossas campanhas: ser mais observadores e aglutinadores do que criadores. Pense nisso. Relaxe! Use o que o mundo já lhe disponibiliza. Aproveite. Está tudo aí, prontinho pra ser juntado. Psiu… Tá ouvindo? LADY GAGAAAAAAAAAA!

Ricardo Mercer


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